sábado, 30 de outubro de 2010

A linha tênue entre o ódio e a felicidade.

A cada dia que passa consigo ver mais pessoas felizes ao meu redor, só que não estou entre elas. Pessoas realizadas, com suas vidas organizadas e seguindo em frente, numa rotina perfeita, típica de novela. Pessoas que conseguem aparecer no momento exato da oportunidade, que conseguem persuadir a sorte e transformá-la em uma carta na manga, um coringa, uma carta de sorte sem revés. Todas elas sempre compartilhando com os mais fracos suas conquistas, se vangloriando de tudo que possuem e dizendo como foi duro chegar onde chegaram. Só que quem está por cima, não conhece o peso da carga da maioria, o peso da verdadeira vida dura, daqueles que trabalham duro por pouco, que se submetem a uma vida medíocre e que se acham merecedores do pouco que tem, rezando a Deus para que aquilo mude mas mesmo assim abençoando e agradecendo pelo pouco que levam consigo. Quem leva uma vida dessas não sabe o quanto é bom estar por cima, quem já esteve por cima, como eu, sabe que é a melhor sensação que existe. E estou dizendo isso pensando pelo lado material com certeza. Eu vivo minha vida, já vivi uma melhor, sei como as coisas acontecem quando se tem de tudo, ou quase tudo, ao seu alcance. Durante esse tempo todo, em que minha vida passou a ser "pesada", percebi que muitos não sabem dar valor ao que tem. Agora sim entro também na parte afetiva da história. Tudo o que achei ter um dia foi por água abaixo, o que me restou foi meu emprego medíocre, minha vida banal e sem cor, sem vida. Me sinto com um daqueles que entra em um trem lotado seis horas da manhã, vivendo do resto da felicidade alheia. Não penso em nada além de uma forma de sair desse labirinto, onde tudo me leva pra uma miséria no fim do mês e as milhares de contas que a tiram de mim. Queria poder ter tudo novamente, ser o que era, viver o que é bom. Não aguento mais essa má fase, que já dura anos. Um desabafo, isso é sim um desabafo, não uma carta suícida ou um aviso de uma depressão que está por vir. Tenho consciência, sei que muitos dependem de mim, e dar um fim nisso de forma brusca pra mim é covardia. É muito facíl acordar feliz e terminar o dia triste, amargurado, sentindo-se derrotado. O difícil é acordar na manhã seguinte. E tenho feito isso por um bom tempo. Não me apego à crença alguma, sei que nada cai do céu além de chuva. Ponto. Nada mudará esse meu conceito. A vida está aí, e é feita para ser vivida, muito covarde é aquele que não se move e pede a Deus por um milagre em sua vida, pois se ele existisse, e dúvido fortemente disso, acho que sua ocupação seria outra. Reitero que isso é só um desabafo, mas creio que poucos também chegaram a ler até este ponto do texto. Dane-se. Não quero seu consolo nem seu colo, quero apenas que me respeite depois de um dia de carregar o peso da vida.

2 comentários:

  1. Colegaaa li seu texto todo tá???...rs.rs.rs.rs
    Palavras profundas e titulo bem criativo.

    Legal.

    Beijos

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  2. Nossa! Nunca me senti tão a vontade em ler um texto, por mais que seja um post em blog. Repito: Nunca na minha vida me senti tao a vontade em ler um texto! Deve ser pq a sua vida se parece com a minha. Alias bem igualzinha a minha mesmo.Mas nao uso para desabafar, ninguem quer ouvir nossos desabafos, nao aceite como insulto, mas se é que me entende, o mundo nao é compreensivo! E ficar martelando o que da certo ou o que nao esta dando é mais um forma horrivel de 'nostalgiar' a vidinha que temos. Adorei seus textos, e vou estar aqui mais vezes.Espero, mesmo que nostalgicos, mais desabafos como esse! Mesmo que minha vida seja bem igual a tua, eu ainda acredito na força que eu posso ser! Obrigada, por ler meu desabafo(se é que leu até o final)

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